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Relação entre associação, EFPC e patrocinadora: diálogo técnico

Por Cássio Ferrani · Tauer

Diretoria e conselho de uma EFPC reunidos em volta da mesa

Em um fundo de pensão, associação, entidade (EFPC) e patrocinadora têm papéis distintos e interesses que nem sempre coincidem. O diálogo técnico funciona melhor quando cada parte sabe o que a lei atribui a quem: a patrocinadora formaliza sua condição por convênio de adesão e divide com participantes e assistidos o custeio e o equacionamento de déficit, a EFPC administra os planos por meio de seus conselhos e diretoria, e a associação representa os participantes e assistidos, com informação e apoio técnico.

Quem é quem

  • Patrocinadora. Empresa, grupo de empresas ou ente público cujos empregados ou servidores podem integrar a entidade fechada (LC 109/2001, art. 31). A condição de patrocinador se formaliza por convênio de adesão, celebrado para cada plano com autorização prévia do órgão regulador (art. 13).
  • EFPC. Entidade sem fins lucrativos que administra e executa os planos de benefícios, organizada em conselho deliberativo, conselho fiscal e diretoria-executiva (LC 108/2001, arts. 8º e 9º).
  • Associação. Entidade representativa de participantes e assistidos. As normas consultadas para este texto não lhe atribuem papel formal na estrutura da EFPC, e sua atuação se apoia no direito à informação e na representação dos associados (veja o guia de representação qualificada).

A LC 108/2001 se aplica aos planos de patrocinadores públicos. Para patrocinadores privados, valem a LC 109/2001, o estatuto e o regulamento de cada plano.

Onde o diálogo técnico é inevitável

Custeio. Nos planos de patrocinadores públicos, o custeio é responsabilidade do patrocinador e dos participantes, incluídos os assistidos (LC 108/2001, art. 6º), e a contribuição normal do patrocinador não pode exceder a do participante (§ 1º), ressalvadas as regras previstas na lei. O patrocinador também não pode assumir encargos adicionais além dos previstos no plano de custeio (§ 3º).

Déficit. O déficit é equacionado por patrocinadores, participantes e assistidos, na proporção de suas contribuições (LC 109/2001, art. 21). A lei admite aumento de contribuições, contribuição adicional ou redução de benefícios a conceder, e a redução de valores de benefício não se aplica aos assistidos (art. 21, §§ 1º e 2º). Em resposta a consulta, o TCU entendeu que um ente público federal não pode aportar contribuições extraordinárias quando participantes e assistidos não pagam a sua parte, e que a paridade exige razoável contemporaneidade entre as contribuições (Acórdão 1.323/2024 – Plenário). Veja o guia de déficit em fundo de pensão.

Alterações de regulamento e retirada de patrocínio. A EFPC deve divulgar síntese e inteiro teor das propostas de alteração de estatuto e regulamento com antecedência mínima de 30 dias do requerimento ao órgão fiscalizador, e comunicar pedidos de adesão, retirada de patrocínio ou transferência de gerenciamento (Res. CNPC 32/2019, art. 3º, V e VII). Esse é o momento em que a associação pode se informar e perguntar. No caso da Resolução CNPC 50, o prazo de adaptação é 31/12/2026 (veja o post sobre o prazo).

Despesas administrativas. São custeadas pelo patrocinador e pelos participantes e assistidos, dentro dos limites fixados pelo órgão regulador (LC 108/2001, art. 7º). O RAI traz as despesas do exercício (veja o post sobre o direito à informação).

Como conduzir o diálogo

  1. Escolher o interlocutor certo. Perguntas sobre o plano vão à EFPC (diretoria, ouvidoria ou pedido formal de informação); decisões de custeio e de convênio envolvem a patrocinadora, mas passam pelos órgãos da entidade.
  2. Usar o conselho como via institucional. Os representantes eleitos podem levar as questões à pauta (veja o post sobre como apoiar conselheiros).
  3. Pedir por escrito e registrar. Protocolo, data, norma citada e resposta (veja o post sobre como levar uma questão à Previc, se o diálogo travar).
  4. Separar fato, norma e opinião. Cada pergunta cita o dado, a regra e o impacto.
  5. Buscar solução técnica antes do embate. Cenários, cronogramas alternativos e dados atuariais costumam ser mais produtivos que a disputa de narrativas.

As cinco perguntas para cada tema

Seguindo o método de análise da Tauer, vale responder:

  1. O que está sendo decidido? Custeio, equacionamento, regulamento, convênio ou outro tema.
  2. Qual regra se aplica? LC 108 ou LC 109, resolução do CNPC ou da Previc, estatuto e regulamento.
  3. Que informação e evidências sustentam a proposta? Parecer atuarial, demonstrações e documentos do convênio.
  4. Quais impactos e riscos? Para participantes, assistidos, a patrocinadora e a entidade, no curto e no longo prazo.
  5. A informação é suficiente? Se não for, o pedido de informação vem antes da posição.

Como a Tauer apoia

A Tauer atua com independência técnica ao lado de associações e conselheiros, apoiando a leitura de pareceres, a formulação de perguntas e a organização do diálogo com a entidade e a patrocinadora. Conheça a consultoria para associações, a assessoria para conselheiros ou fale com a equipe.

Perguntas frequentes

A patrocinadora pode alterar o plano sozinha?

Não. Alterações de regulamento passam pelos órgãos da entidade e pelo órgão fiscalizador, e a entidade deve divulgar a proposta com antecedência mínima de 30 dias do requerimento (Res. CNPC 32/2019, art. 3º, V).

Quem paga o déficit?

Patrocinadores, participantes e assistidos, na proporção de suas contribuições (LC 109/2001, art. 21).

A contribuição do patrocinador pode ser maior que a do participante?

Nos planos de patrocinadores públicos, a contribuição normal do patrocinador não pode exceder a do participante, ressalvadas as regras previstas na lei (LC 108/2001, art. 6º, § 1º).

A associação participa das decisões da EFPC?

As normas consultadas não lhe dão assento formal. A representação ocorre pelos conselheiros eleitos e pelo exercício do direito à informação.

Como formalizar um pedido à patrocinadora?

Em regra, o canal é a EFPC, que mantém o convênio de adesão com a patrocinadora. Para patrocinadores públicos, também há canais próprios de transparência do ente; confira o procedimento de cada um.

Fontes

Lei Complementar nº 109/2001, arts. 13, 21 e 31 (Planalto) · Lei Complementar nº 108/2001, arts. 5º a 9º (Câmara dos Deputados) · Resolução CNPC nº 32/2019 (PDF oficial, Ministério da Previdência) · TCU, Acórdão 1.323/2024 – Plenário. Consultadas em outubro de 2026.

Escrito por

Cássio Ferrani

Artigo da Tauer, assessoria técnica para conselheiros, diretorias de EFPCs e entidades representativas de fundos de pensão.

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