Uma boa pergunta de conselheiro é objetiva, parte de um documento, busca a premissa ou o dado que sustenta a proposta e é feita antes da deliberação. Formular perguntas assim é uma habilidade que se desenvolve com método e prática, e é uma das formas mais diretas de qualificar as decisões de um conselho. A qualidade da governança depende da qualidade das perguntas feitas.
Perguntar faz parte do dever do conselheiro
Ao tomar posse, o conselheiro assume deveres estatutários, legais e fiduciários. Isso inclui compreender o que vota. A Lei Complementar nº 109/2001 prevê que os membros de conselhos estatutários respondem civilmente pelos danos que causarem à entidade, por ação ou omissão (art. 63). Deixar de esclarecer um ponto relevante antes de votar é um risco que o conselheiro pode evitar.
O conselheiro não precisa dominar atuária, contabilidade e direito. Precisa saber o suficiente para perguntar bem a quem domina.
Cinco perguntas que organizam qualquer matéria
Um roteiro simples ajuda a ler qualquer proposta. Para cada etapa, um exemplo de pergunta:
- O que está sendo decidido? “Qual é exatamente a deliberação pedida ao conselho, e quais alternativas foram consideradas?”
- Qual regra se aplica? “Quais dispositivos do regulamento e das normas sustentam esta proposta?”
- Quais evidências sustentam a proposta? “Quais premissas foram usadas, e por que foram escolhidas?”
- Quais impactos e riscos existem? “Qual é o impacto estimado sobre participantes e assistidos, e em quais cenários o resultado piora?”
- A informação é suficiente? “Que informação adicional é necessária para votar com segurança?”
O que caracteriza uma boa pergunta
- Objetiva: trata de um ponto por vez.
- Referenciada: cita o documento, a página ou o número em questão.
- Adequada ao objetivo: aberta quando busca compreensão, fechada quando busca confirmação.
- Neutra: parte do fato e pede esclarecimento, sem tom de acusação. A firmeza vem da precisão.
- Registrada: quando a resposta é relevante para o voto, vale pedir que pergunta e resposta constem em ata.
Quando perguntar
Antes da reunião, por escrito, sempre que possível. Isso dá tempo para a área técnica preparar uma resposta completa e evita que a deliberação seja adiada.
Durante a reunião, para esclarecer o que a apresentação não respondeu.
Depois da reunião, para acompanhar compromissos e a execução do que foi aprovado. O acompanhamento não termina com a aprovação.
Como desenvolver essa habilidade
A melhor forma de aprender a perguntar é praticar com documentos reais: ler uma avaliação atuarial e listar o que não ficou claro, comparar a política de investimentos com os resultados, reler uma proposta de alteração de regulamento buscando o que muda para participantes e assistidos. Com o tempo, as perguntas ficam mais precisas e o debate no conselho ganha qualidade.
Como a Tauer pode apoiar
A Tauer apoia conselheiros na preparação das pautas, com resumos que já trazem os pontos de atenção e as perguntas a esclarecer. Pela Tauer Educação, desenvolve essa habilidade com casos e documentos reais. Conheça o apoio da Tauer a conselheiros e a Tauer Educação.


